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riscos_e_rabiscos

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São Pedro... menos, está bem?!?

Cheguei a casa mais encharcada do que se tivesse caído dentro de uma piscina com roupa e tudo. Para dizer a verdade, acho que a única parte seca em mim era o meu soutien... mas posso estar enganada.

 

Já saí de casa a chover mas quando terminei as aulas estava a cair um rio, em vez de estar a chover. Só o facto de sair da sala, sair da escola e atravessar a estrada para chegar à paragem - que são distâncias bem curtas - foi o suficiente para ficar que nem uma pinta.

 

Tive a sorte e um autocarro andar atrasado e, por isso, conseguir chegar a casa um bocadinho mais cedo. Ao chegar aqui à zona onde moro, pude comprovar uma conclusão a que já tinha chegado anteriormente: Não é boa ideia subir ruas quando chove muito! A sensação é a de remar contra a corrente, a água salta pra cima de nós, ficamos com as calças mais pesadas dez quilos por estarem cada vez mais molhadas, e até as nossas botas decidem não colaborar e darem o berro! Resultado da batalha final: um par de botas para irem para o lixo porque a sola abriu-se e pareciam estar a rir-se e uns litros valentes de água absorvidas involuntariamente.

 

Conselho de amiga: sempre que estiver assim o tempo... não andem na rua! Refugiem-se em casa na companhia de um bom livro, ou de uma bela série de TV, ou de umas agulhas de tricot e lã e entretenham-se até o mau tempo passar!

 

Ó chuva, pá!

 

Eu até gosto de chuva, principalmente quando vou ficar em casa. A chuva remete.nos para um cenário idílico e acolhedor: um belo livro para ler, um sofá confortável e um chá quente para ir levando as palavras que lemos para outros lugares.

 

Ora esta ideia é muito atrativa mas está longe da minha realidade de hoje. Para já, tenho a dizer que desconfio que o São Pedro deve andar zangado comigo. Se assim não fosse, havia necessidade de, quando tenho de sair de casa para ir trabalhar, mandar a maior carga de água do dia cá para baixo?!?

 

Levava vestida a minha gabardina à inspector Gadget, botas (lembrar de comprar umas galochas!) e um chapéu de chuva forte. Assim que atravessei a rua para o outro lado, já estava encharcadinha. Mas o pior era atravessar o rio que se forma na descida ao fundo da rua. Lá passei o Tejo da minha rua em bicos de pés mas mesmo assim consegui fazer entrar água para dentro de uma bota através do fecho!

O chapéu de chuva parecia um catavento a rodopiar na minha mão. Às tantas veio uma rabanada de vento tão forte que quase me senti a Mary Poppins a voar com o seu chapéu de chuva.

 

Com muita sorte, o meu primeiro autocarro não chegou atrasado. Entrei, depositei as minhas malas - que pareciam ter saído de um alguidar de água - em cima do banco e ajeitei-me o melhor que pude com tanta tralha.

Cheguei à paragem do segundo autocarro, não estava lá ninguém. Estranhei. Reparei que o meu autocarro estava parado perto da paragem e como motorista lá dentro. Pensei "como falta pouco tempo para partir e o homem conhece-me, deve vir já para aqui e eu entro". Está bem, está! Gramei dez minutos à chuva e vento na paragem e fiquei ainda mais molhadinha. Finalmente lá veio.

 

Em resumo, consegui chegar tão molhada à escola como se tivesse ido tomar banho vestida. Bolas!

 

 

É Praga... Só Pode!!!

 

É praga e das boas, daquelas rogadas por alunos! Estava eu toda convencida que ia dar um corte ao cabelo hoje quando acordo ao som da chuva e vento. Ainda tive esperança que fosse só vento e assim ainda ponderava se iria ao corte ou não. Daqui a pouco o cabelo chega-me aos joelhos pois já está a meio das costas... E se ele se enrolar nas pernas e der um trambolhão, ainda parto os dentes!

 

E isto tem-me feito lembrar de uma prima minha que tinha um cabelo loiro, lindíssimo, que usava entrançado e enrolado em forma de caracol preso à cabeça. Dizia ela que não cortava o cabelo havia anos, que sempre que se preparava para ir o cortar, acontecia uma tragédia: uma vez aconteceu uma morte, outra um acidente e outra ainda uma doença de gente chegada a si. E assim foi deixando crescer o cabelo, com receio de que ao ir cortar o cabelo, mais alguma fatalidade se lhe atravessasse no caminho.

 

Um dia, para nos mostrar o tamanho do seu cabelo, desfez a trança que revelou a sua beleza e esplendor. Aquele loiro sempre foi um tom invulgar, que eu nunca vi nenhum parecido. E o tamanho era algo espantoso: parecia uma cascata que lhe descia pela cabeça até quase aos joelhos. Fazia lembrar os cabelos de uma princesa de tempos longínquos de vido à sua invulgaridade.

Mas um dia o corte de cabelo chegou e o tempo tem passado e eu nunca mais a vi.

 

O dia hoje passou intercalado de períodos de chuva, vento e sol, o que contribuiu para o azamboamento da minha cabeça e para a dose extra de excitação dos miúdos. Saí da escola já de noite - não gosto nada - e com aquela chuvinha de molha parvos. É claro que eu não fiquei molhada porque não sou parva (cof!cof!cof!)...

Apanhei o meu autocarro de sempre, que hoje teve a visista da Dona Inokes, e quando cheguei ao terminal, tinha à minha espera umas rajadas de vento fortes acompanhadas de pancadas de chuva bem jeitosas. Escusado será dizer que apanhei uma molha das valentes, pois nem o chapéu de chuva nem o imperme+avel me salvaram. Sei dizer que cheguei a casa a pingar: calças molhadas, rabo de cavalo a pingar, e impermeável impregnado de chuva. Até a minha roupa interior não conseguiu escapar à chuva!

 

Só a Mim…

Rain, rain,

Go away

Please come back

Another day!

  

Consegui chegar ao colégio sequinha. Nem uma gotinha de chuva me regou. Ia sendo levada pelo vento, mas isso é outra história. E vá lá que não me caiu “nada” em cima!

 

Dei as minhas aulinhas como normalmente e, à hora de sair, começa a cair uma carga de água descomunal! Lindo!

Só vejo o colégio a começar a inundar. Ainda por cima, as ruas são descidas que vão em direcção ao colégio, ou seja, a água vai toda dar uma voltinha.

Ainda tive para ir buscar um kayake para aproveitar a corrente mas depois pensei “eh… ainda tenho de me equipar toda e não me apetece…” E além disso, não era dia de prática de desportos.

 

Fui a subir a rua tipo salta-pocinhas mas neste caso era mais salta riozinhos… Argh! Fiquei com as botas e os pés encharcados.

Consegui chegar à paragem da camioneta sem dar um espalhanço monumental, apesar da patinagem artística que fiz.

Fiquei ali, sugadita à espera da camioneta – que perdi – a fazer figas para que viesse rapidamente. Então não é que um $&%#€@ de um gajo fez o “obséquio” de nos dar uma banhoca?! Se eu soubesse tinha levado o champô e o gel. Sempre poupava uns litros de água. Temos de ser amigos do ambiente!

 

Finalmente a minha camioneta chegou. Entrei e sentei-me. Devido à chuva, havia montes de trânsito, logo, estivemos algum tempo em pára-arranca. Foi aqui que me apercebi…

 

Atrás de mim vinha sentada uma mulher que também costuma apanhar a camioneta comigo bastantes vezes. Eu já tinha percebido que ela falava sozinha… só não percebia que era tanto! É uma mulher nova, cerca de quarenta e poucos anos, muito bem arranjada. E fala pelos cotovelos!!!

Aquela alminha esteve sempre a falar. Estive a gramar aquele “rezar” de palavras alguma meia hora. Tão depressa falava do trânsito como falava da vida dela, como dizia “quem cá ficar que se aguente!”. E mais… vinham umas mulheres na conversa que pareciam ser transmontanas e não é que a tal mulher desata a fazer comentários sobre elas?! O que vale é que ela fala baixinho, mas se estivesse sentada atrás das outras, desconfio que saía da camioneta com um olho à belenenses…

 

A determinada altura, a mulher chega ao seu local de destino e sai. Entram mais pessoas e, novamente, outra mulher senta-se atrás de mim. Epá… duas vezes seguidas, não!!! Então não é que esta também falava sozinha?! Será que o mal era do banco? E se eu me tivesse sentado lá, também teria desatado a falar sozinha?! Hummm…